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No início era o vazio, e Zainard, o espírito do Sol.

Do infinito entre as estrelas, quatro grandes Élions vieram, eles eram Ordarok, o fogo, Rurian, a terra, Malgor, a água, e Velkrys, o ar.

Os quatro Élions, vagando pela imensidão, chegaram a Zainard, se afeiçoaram a ela, e decidiram sob sua luz criar um mundo onde pudessem repousar.

Assim, Ordarok, Rurian, Malgor e Velkrys se entrelaçaram uns aos outros e mesclaram sua essência. Dobraram sua natureza sobre si mesmos um número de vezes, e criaram uma pequenina esfera, ardente de fogo, áspera de rochas, suave de ventos e fluida de águas. Os Élions esperaram que sua natureza quádrupla se aquietasse, e criaram a si mesmos dentro do mundo.

E lá repousaram.

O tempo enredou os Élions e acalentou seu sono por eras incontáveis. Por um tempo que ser algum poderia conceber, eles estiveram em paz. Experimentaram vidas e mundos em seus sonhos, e ao despertar, trouxeram consigo o desejo de formá-los a seu redor, e ver com olhos despertos o que em sua imaginação haviam criado.

Ao despertar, porém, viram que o mundo que haviam deixado para trás estava mudado. Sua natureza Elemental não terminou de se dobrar sobre si mesma quando eles iniciaram o repouso, mas continuou, milênio após milênio, em complexidade crescente e diversidade infinita.

O mundo de que se recordavam era feito de rochas que rasgavam o vento, ventos que açoitavam os mares, mares que engolfavam vulcões, e vulcões que feriam as rochas.

O mundo para o qual despertaram não tinha nada disso. Era recoberto, nas cavernas e planícies, de vida. Plantas, aves, animais, peixes... Não havia canto, por menor que fosse, que não estivesse pleno de vida. Os Élions se admiraram, e sobre a vida do mundo formaram seus sonhos. Cada qual pegou das criaturas que o cercavam e enredou-as em sua própria natureza, mesclou-a com a dos outros élions, e formaram centenas de novos seres. As chamadas criaturas mágicas.

Até que Ordarok decidiu criar um novo tipo de ser, para o qual ele precisaria da cooperação de todos os outros Élions: um ser capaz, como eles, de criatividade.

Malgor e Rurian concordaram, mas Velkrys acautelou-se. “O perigo é grande”, disse ela. “Se criarmos seres criativos, as estrelas poderão ouvi-los, como um dia nós fomos ouvidos. A partir deste momento, nós não estaremos mais a sós. Nossa quietude nunca mais voltará.”

Mas os outros três, decididos, foram em frente. Rurian deu a forma aos seres, e a capacidade de reter o que vivem: a memória. Malgor lhes deu a flexibilidade, e a capacidade de compreensão da vida: as emoções. Ordarok fez com que seus corpos passassem por uma destruição e renovação contínuas, e fossem, eles mesmos, capazes de gerar nova vida. Abriu suas mentes e lhes insuflou com o desejo de vencerem todos os limites: a capacidade para o gênio.

Velkrys viu que a criação dos três era incompleta, e que sem o dom que ela poderia lhe dar, todos destruiriam a si mesmos. Então, quando o primeiro homem estava ainda adormecido, Velkrys chegou-lhe ao ouvido, e sussurrou todas as leis, toda a verdade, e toda a certeza. Abriu-lhe o coração, colocou ali a semente que permitiria que ele se conectasse à natureza, e lhe deu a capacidade para sonhar.

Assim surgiu Kaitos, o primeiro ser humano.

Os quatro Élions, vendo que Kaitos era uma criação perfeita, criaram-lhe companheiros, e fundaram a primeira cidade: Éron. Cada um dos quatro alterou a raça original dos Eronianos para que se parecessem mais com um ou outro Élion. Assim surgiram os Esserians, criados por Ordarok, os Ashalans, criados por Malgor, os Fariens, criados por Rurian, e os Anuriens, criados por Velkrys.


A vinda de Davnia[]

Os Élions, satisfeitos com as raças que haviam criado, passaram a negligenciar suas criaturas primeiras, e deixaram os Eronianos a seu bel prazer. Porém, o mundo não era um lugar seguro para viver sem a proteção de um dos Élions, e logo os Eronianos começaram a ser vitimados por toda a sorte de desastres: vendavais, terremotos, monstros, vulcões, tempestades torrenciais, seca.

Mas pior eram as demais raças, que, sob a vista grossa dos Élions, escravizaram e subjugavam os Eronianos, destruindo paulatinamente sua civilização, forçando-os a viver em constante pânico. Finalmente, acuados por todos os lados, levados ao desespero, os Eronianos voltaram sua atenção às estrelas, e a elas imploraram por salvação.

Uma delas, a jóia central da constelação da coroa, atendeu ao chamado. Veio ao mundo na forma de uma dama dourada chamada “Davnia”.

Davnia reuniu as tribos Eronianas que restavam e as escondeu. Por varios anos, treinou os Eronianos em combate, e escolheu entre eles setenta e sete campeões que a acompanharam na tarefa de cessar o governo dos Élions.


A revolta dos Fariens[]

Davnia viajou à floresta de Elfara, local da capital dos Fariens. Naquela época, os Fariens eram grandes ferreiros, e, avisados por Rurian, forjaram diversas armas e armaduras fortes o suficiente para fazer frente à Davnia. Quando ela e seus setenta e sete guerreiros chegaram, foram atacados por todos os lados pelo exército de elite dos Fariens.

A luta entre Davnia e os Fariens cobriu a floresta de Elfara de sangue. A morte se apoderou daquele local, e desde então não há nada vivo que lá permaneça. Os corpos e espíritos dos lutadores Fariens e Eronianos estão lutando até hoje. Davnia, ensanguentada, chegou para lutar com Rurian. Este, a recebeu com as melhores armas e armaduras que os Fariens poderiam fazer. Na luta, Davnia fora desarmada e estava prestes a tombar, mas um de seus campeões se colocou entre ela e Rurian. O sacrifício de seu amigo deu a abertura necessária para que Davnia dessarmasse Rurian e usasse sua própria arma para derrotá-lo.

Os Élions não podem ser realmente derrotados ou mortos, a não ser por sacrifício próprio. Rurian foi aprisionado em um bloco de ferro e sepultado no coração da floresta Elfara, onde permanece até hoje.

Quanto aos Fariens, porque se rebelaram contra Davnia e a atacaram violentamente, sua vida foi cortada pela metade, e porque foi a arma que eles fizeram que derrotou seu criador, todos passaram, desde então, a sofrerem em contato com o ferro. Os sobreviventes se recolheram para dentro das florestas e não importunaram mais or Eronianos ou nenhuma outra raça.


A aliança com os Anuriens[]

Davnia foi, então, para os altos picos onde moravam os Anuriens e sua criadora, Velkrys.

Davnia e seus campeões foram bem recebidos por aquele povo, e Velkrys ouviu o que ela tinha a dizer. Por causa da recepção pacífica, Davnia deu a Velkrys uma escolha: ela poderia partir do mundo e continuar sua jornada entre as estrelas, e não voltar mais, ou continuar no mundo, mas abdicar de seus poderes e se tornar uma mortal.

Velkrys não optou por nenhuma das coisas. Disse a Davnia que o que aconteceu também era culpa sua, e portanto ela merecia o mesmo destino de seus irmãos. Ela pediu a Davnia que a aprisionasse como a Rurian, e só fosse solta no dia em que seus irmãos se libertassem novamente.

Davnia atendeu ao pedido de Velkrys, e a transformou em uma imensa árvore no topo de um pico sempre recoberto de névoas – o pico invisível.

Quanto aos Anuriens, porque sua criadora aceitou pacíficamente e decidiu por acompanhar seus irmãos, a eles foi dada a capacidade de desenvolverem uma mente perfeita. E porque Velkrys demonstrou que era um espírito livre, ao escolher a prisão por vontade própria, doravante os Anuriens ganharam a capacidade de voar como as aves.


A traição dos Ashalans[]

Depois, Davnia e os campeões foram a Malgor e os Ashalans. Estes, temendo um destino parecido com o dos Fariens, receberam Davnia em segredo e iniciaram uma longa negociação sigilosa com ela. Ao mesmo tempo, todo o exército dos Ashalans voltou-se contra Malgor e o atacou.

Davnia sentiu que os Ashalans trairam seu mestre, e quando chegou ao local do confronto, restava apenas Malgor, enfraquecido e moribundo, e quase toda a população dos Ashalans caída a seus pés.

Davnia deu-lhe o golpe de misericórdia, e jogou seu corpo no fundo do lago de Malakrys, sob o qual ficava seu palácio de gelo. O sangue de todos os Ashalans assassinados migrou para o lago, e o transformou no lago negro. O rio que dele saía, no rio Gorakar: o rio de sangue.

Quanto aos Ashalans que restaram, porque seu povo se virou contra seu próprio criador, todos os demais perderam a alma, e passaram a andar pelo mundo como pobres esfomeados que nunca seriam saciados, porque não teriam mais o calor no coração que era o reflexo das estrelas em cada um.


A falsidade dos Esserians[]

Davnia chegou à Mor-Aduk cidade do Fogo, centro da civilização dos Esserians. Foi recebida por uma raça amedrontada com o que ela fizera. Davnia os aconselhou a se afastar dela e de seus campeões, e deixarem que ela mesma cuidasse de Ordarok – o mais mortal dos Élions.

Os Esserians lhe prometeram que ela não sofreria oposição, e a deram passagem por suas cidades. Porém, às portas do castelo de Magma, centro de Mor-Aduk, Davnia foi atacada por toda a população Esseriana. Muitos de seus campeões morreram, mas ao final ela conseguiu se esgueirar entre o combate para o centro do palácio, onde enfrentou Ordarok.

Davnia e Ordarok lutaram por sete dias. Ferida e cansada, ela teria sucumbido, mas sete de seus campeões chegaram para lhe ajudar no último momento. Ordarok, subjulgado pelos números, foi atingido mortalmente por Davnia. Esta, porém, não resistiu aos ferimentos recebidos, e pereceu logo após. Ordarok se transformou em uma estátua de diamante, e Davnia em uma estátua de ouro. Ainda hoje, ambos estão no centro das ruínas de Mor-Aduk.

Quanto aos Esserians, porque rompeam com a palavra dada a Davnia, foram condenados a nunca mais descumprirem um juramento que façam. Porque eles a atacaram, sua vida também foi cortada pela metade.


Os Sete Campeões[]

Dos setenta e sete campeões que partiram com Davnia em sua missão de derrotar os Élions, apenas sete haviam restado. Eram eles: Sotek, Stergar, Zerin, Ziara, Lot, Daunator e Stralen. Após a derrota de Ordarok, e a transformação de Davnia em uma estátua, os sete se separaram e espalharam os humanos para os demais cantos do mundo.

Stergar continuou em Mor-Aduk, onde resolveu pesquisar uma forma de trazer Davnia de volta. Ele mediou a paz entre os Eronianos e as demais raças e fundou Aureon, o Império da Luz.

Sotek foi para sudeste onde fundou Nephlar, cidade que seria mais tarde a capital do império Azanthi. Zerin levou um pequeno grupo formado de todas as raças ao sul, onde fundou a civilização Zeriniana.

Daunator e Stralen partiram para leste. Tiveram uma desavença no meio do caminho, e acabaram por se separar. Daunator fundou uma sociedade meritocrática enquanto que Stralen concentrou-se em navegação e comércio.

Ziara e Lot foram para oeste e se estabeleceram do outro lado do mundo. Casaram-se e foram os primeiros governantes do império de Diorannis, que mais tarde se fragmentou nos impérios de Ziara e Lot.


O Império Aureon e a revolta dos monstros[]

(3293 AV a 3240 AV)

Até esse momento, as civilizações do mundo tinham uma convivência pacífica com as criaturas mágicas. Porém, quando Davnia derrotou os Élions, e as raças elementais que eles criaram se rebelaram contra seus criadores, todos os seres mágicos do mundo foram tomados de uma raiva irracional para com os seres inteligentes. Apenas os Fariens, que lutaram ao lado de seu Élion até o fim, foram poupados desta ira, e se tornaram os únicos capazes de adestrá-los – ainda que com dificuldade.

A revolta dos monstros tomou o recém criado império Aureon de surpresa. Stergar teve de deixar Mor-Aduk em busca de uma solução, confiando a defesa das cidades aos seus generais.

Stergar fora o amante de Davnia, e tinha em sua posse um frasco contendo as únicas lágrimas da Élion. As lágrimas, dizia-se, podiam apaziguar qualquer natureza, e Stergar esperava descobrir uma forma de utilizá-las para domar os seres mágicos. Porém, em sua ausência as cidades do império caíram uma após a outra com rapidez alarmante. Mor-Aduk foi invadida pelas criaturas mágicas, e nunca mais foi habitada.

O império Aureon durou 53 anos. A invasão dos monstros destruiu toda a ordem social criada por Stergar. Ninguém soube dos detalhes da jornada de Stergar, mas uma noite, o céu foi percorrido por uma luz acinzentada, depois da qual os seres mágicos retrocederam seu avanço, e dali para frente passaram a evitar o contato com os humanos.

Por muito tempo, ninguém soube qual fora o fim de Stergar.


O grande Akarien e a ascensão do império Azanthi[]

(3240 AV a 770 AV)

Nephlar, ao Sul, também foi afetada pelo ataque dos seres mágicos, mas Sotek resolveu proteger seu povo em vez de sair em busca de uma solução. Após o retrocesso das criaturas, Nephlar começou uma rápida expansão, reunindo os sobreviventes que encontrava.

Um dos netos de Sotek chamou-se Akarien, e foi o real fundador do império Azanthi. Akarien inventou a língua Azanthi, ensinou agricultura, engenharia, matemática, astronomia e medicina. Fundou a casta sacerdotal do império, que foi a primeira instituição dedicada ao ensino da magia.

Akarien viveu por quinhentos anos, mas seu império perdurou milênios. Os Azanthi tiveram uma rápida expansão, e dominaram todo o continente ao sul. As poucas civilizações emergentes foram rapidamente assimiladas.

Os Akariens criaram os obeliscos de Adrax – grandes colunas de pedra que brilhavam à noite e afastavam seres mágicos. Construíram imensos templos dedicados ao estudo sacerdotal que sobreviveram às eras.

Chegaram ao continente de Stergar, e apesar de não se expandirem ao norte, estabeleceram rotas de comércio que foram as principais responsáveis pelo desenvolvimento do continente na época.


Verokh Dargos e o século dos mortos[]

(770 AV a 703 AV)

Nos últimos séculos do império Azanthi, os grandes governantes – os Axions – foram unificados à classe sacerdotal. Deram início a um governo magocrata.

Surgiu, então, Verokh Dargos, o sexagésimo Axion da dinastia Dargos. Naquela época, o continente de Sotek sofreu a invasão de uma frota de Stralen, e Verokh foi defender o império pessoalmente.

Morreu neste confronto. Seu corpo foi levado à capital de Nephlar, e em meio aos rituais fúnebres, reergueu-se, e reclamou o controle do império.

Dois dias depois, toda a frota que havia enfrentado Stralen voltou a Nephlar – incluindo os navios que foram afundados. Os cadáveres dos soldados derrotados, de ambos os lados do confronto, marcharam pela capital.

Por cem anos, os mortos vivos comandaram o império Azanthi. Sob a liderança de Verokh Dargos, o império começou uma violenta onda de expansão. Internamente, o povo foi subjugado a uma vida sob o terror. As execuções se intensificaram. As leis tornaram-se irracionais. Em alguns anos, toda a população da capital havia sido executada por um crime ou outro. Em décadas, nada mais era vivo nas principais cidades do império.

A aliança de Arendra[]

(703 AV a 670 AV)

As cidades estado de Stergar, alarmadas, formaram uma coalisão para tentar impedir o avanço do império Azanthi. Mas como impedir o avanço de um império que usava como soldados os seus próprios inimigos mortos? Era uma questão de tempo até que o mundo pertencesse aos mortos-vivos.

A coalizão foi chamada de “aliança de Arendra”. Logo eles perceberam que a pior coisa a fazer seria enfrentar os Azanthi, que apenas se fortaleciam a cada luta. Em vez disso, decidiram abandonar suas terras e migrar para o interior do continente. Embranhando-se em territórios infestados de monstros, os Arendrianos também dificultavam o avanço do império.

Este êxodo durou anos, e em todo este tempo os Azanthi não pararam de avançar. Em sua caminhada, os Arendrianos encontraram inúmeras tribos bárbaras, muitas das quais se uniram a eles em sua jornada.

Finalmente, chegaram a uma cidade fundada no centro de uma densa floresta, governada por um mago chamado Zeon, que se dizia descendente direto de Stergar. Zeon não sabia da ameaça do império Azanthi, mas ao se deparar com milhares de refugiados em sua porta, acolheu-os em sua cidade e entrou para a aliança Arendra.

Zeon lhes explicou sobre a natureza da ameaça do império Azanthi, e lhes disse que a forma mais simples de eliminar o império seria destruir Verokh Dargos. Sem sua presença para influenciar os mortos vivos, eles perderiam a coesão e seriam facilmente derrotados por um exército.

Dentre todos os Arendrianos, cinco heróis – chamados de Os Cinco Trovões – foram escolhidos para a tarefa de destruir Verokh Dargos. Um plano foi formado, e Zeon liderou um contra-ataque à Nephlar, capital de Azanthi.

Verokh Dargos saiu de seu palácio para enfrentar Zeon pessoalmente. No calor da batalha foi atacado pelos cinco trovões. Conta-se que durante a luta, conforme os trovões caíam, o poder de Verokh Dargos fazia com que eles se reerguessem, mortos-vivos. Porém, tal era a força de espírito dos heróis, que eles continuavam a lutar contra Verokh. Assim, o próprio poder que ele usou para dominar seu império impediu que ele eliminasse seus inimigos: voltou-se contra ele, e foi seu algoz ao final.

Os cinco trovões se recusaram a aceitar a meia vida que possuíam como o seu destino. Para evitar serem corrompidos pela natureza da morte em vida, levaram o corpo de Verokh para o templo dos ossos, em Nephlar, e lá se trancaram.

E dizem que estão dentro do templo até hoje, esperando o momento em que o mundo precise dos cinco trovões mais uma vez.

O Império Zeoni[]

(670 AV a 0 V)

Zeon levou as tribos e aldeias que formavam a aliança Arendra de volta a suas cidades devastadas, forjou um governo central e a criação de um exército unificado. Instaurou o surgimento do império Zeoni.

Durante toda sua existência, o império Zeoni foi uma civilização expansionista e militarizada, com um enfoque muito intenso na luta e artes marciais. Mesmo assim, as origens do império nas cidades estado da aliança Arendra influenciaram toda a organização social e política. Logo nos primeiros séculos, o império Zeoni abandonou o modelo ditatorial e fundou a primeira república de Davnia. Em mais alguns séculos, a instituição do sufrágio universal deu a todos os cidadãos o direito de participarem da política, quer tivessem um exército a seu dispor ou não.

Na prática, porém, o senado era sempre composto das mesmas pessoas. Uma sociedade secreta de magos se revezava no poder, garantindo a si mesmos as regalias do governo, ao mesmo tempo em que vigiavam uns aos outros para evitar o surgimento de um novo Verokh Dargos.

Durante sua existência, o império Zeoni contribuiu para expandir a civilização por toda Stergar. Construiu um sistema de estradas que diminuiu as distâncias, e estabeleceu um sistema de correio extremamente eficiente, que favoreceu a coesão do governo e aumentou a eficácia administrativa. Várias escolas de luta têm sua origem nos princípios Zeoni de estratégia. As leis, a filosofia, a matemática e as ciências naturais todas derivam do período do império Zeoni. Naquela época, a moeda era unificada e os Zeoni impuseram sua língua a todo o continente, o que criou uma base comum para troca de conhecimento e acelerou o crescimento econômico.

O império Zeoni dominou Stergar em quase toda a sua extensão. De um império forte e expansivo, passou lentamente a ser uma civilização burocrática e retrógrada. Esta se degenerou ao longo dos séculos em uma ditadura autocrática onde os governantes eram impunes para cometer as piores violências contra os cidadãos.


Vertuz e a grande peregrinação[]

(0V a 312V)

Na cidade de Klamos, ao norte, surgiu Vertuz Marden, um filósofo filho de ricos senadores que aprendeu magia desde cedo e estava sendo orientado para ser um dos grandes governantes da época.

Mas Vertuz, negando-se a fechar os olhos à condição sub-humana da sociedade, abandonou todas as suas posses, entregou-as aos necessitados, e iniciou uma peregrinação por todo o império Zeoni.

A princípio, ele foi tido como um louco agitador. Em alguns anos, seguido por milhares de pessoas, ele chamou a atenção dos governantes.

Várias tentativas foram feitas de atribuir um ou outro crime a ele, mas Vertuz pregava uma oposição pacífica à injustiça. Nem ele, nem seus seguidores pegavam em armas ou atacavam alguém. Apenas passavam pelas cidades e levavam metade da população embora.

O senado decidiu encarar o movimento como uma rebelião aberta, apesar de não haver sequer uma provocação. O exército foi enviado em peso para debelar os revoltosos.

Vendo os soldados se estenderem pelo horizonte, Vertuz entregou-se pacificamente a eles e aceitou ser levado para a capital de Zeon. Isso, porém, nunca aconteceu. Dois dias depois de ser aprisionado, metade do exército resolveu segui-lo. Ele foi libertado pelos próprios generais que o haviam capturado.

Após esse incidente, Vertuz proclamou a famosa frase: “Que os pacíficos encontrem a paz, e que os mortos encontrem a morte. É chegada a hora de vivermos em paz”. Ele liderou seus seguidores para o norte, na cordilheira de Varnon, e lá fundou a cidade de Farsus.

Vertuz viveu por trezentos e doze anos. Mesmo para os Eronianos, um período muito longo. Ao morrer, proclamou: “Ah... Cai sobre Davnia o martelo da noite. Eu sou o pilar que sustenta o mundo, meu espírito está com o Sol, mas o corpo está se quebrando. Comigo o mundo cairá.”

A morte de Vertuz ocorreu no dia do primeiro ataque de Lodrai-Han, e é o marco zero da história contemporânea de Davnia. Os anos são datados em AV (Antes de Vertus), V (durante a vida de Vertuz), e DV (Depois de Vertuz).


A invasão de Lodrai-Han e a queda de Zeon[]

(0 DV a 45 DV)

Vindo das terras do norte, sem nenhum aviso além dos ensinamentos de Vertuz, uma horda de monstros mágicos iniciou uma série de ataques aos império Zeon. Lodrai-Han havia nascido com o poder de comandar seres mágicos, e organizou todas as tribos bárbaras do norte sob sua liderança.

Sua invasão do império Zeoni foi um massacre. As tropas do império tinham pouca experiência com monstros mágicos, que até então evitavam o contato com humanos sempre que possível. Era conhecimento comum na época que os Faranadriens tinham a capacidade de controlar um ou outro monstro mágico em certas circunstâncias, mas nunca antes uma única pessoa teve milhares deles a seu comando.

Lodrai-Han não queria conquistas, apenas o caos. Não dominou cidades nem tampouco estabeleceu um governo. Apenas varria do mapa os locais por onde passava. A idéia de que ele era louco logo foi descartada: os monstros atacavam com uma estratégia que só um gênio militar poderia conceber.

A invasão de Lodrai-Han, aliada à estrutura obsoleta do império Zeon, e a decadência moral dos governantes, contribuiram para a queda desta civilização. A oposição a Lodrai-Han foi pesada, e ele sofreu duras baixas em seu exército – tanto de criaturas mágicas quanto de guerreiros humanos – mas ao final, a desordem social do império causou sua completa ruína.

Os cantos mais distantes do império Zeon perderam o contato com a capital, o exército se fragmentou e o senado foi deposto, seguidas vezes, por uma série de generais em graus crescentes de tirania. Quando Lodrai-Han invadiu a capital de Zeon, o império foi oficialmente dado por extinto.


A coalisão de Varnon e a busca pelas lágrimas de Davnia[]

(45 DV a 52 DV)

As principais cidades que restaram se uniram em uma tentativa desesperada de se salvar. Mandaram emissários a Farsus para que os seguidores de Vertuz lhes viessem aconselhar. Uma grande comitiva veio e coordenou a coalisão entre as cidades restantes, chamada por causa disso de “coalisão de Varnon”.

Segundo os monges Verturianos, havia somente uma coisa que poderia quebrar o domínio de Lodrai-Han sobre as criaturas mágicas: as lágrimas de Davnia, que supostamente o próprio Stergar teria usado para derrotar os seres mágicos da primeira vez.

Dez indivíduos foram escolhidos para a tarefa de encontrar as lágrimas de Davnia e descobrir como Stergar havia vencido as criaturas mágicas. Foram chamados de “Os cavaleiros alados”, porque entre eles havia um mestre ferreiro que forjou ferraduras que davam a seus cavalos o poder de correrem pelas núvens.

A jornada dos dez os levou a todos os cantos do continente e algumas terras além. Enquanto os povos da coalisão Varnon se defendiam de Lodrai-Han como podiam, os cavaleiros alados acabaram por encontrar Stergar transformado em uma estátua de prata. Em sua mão, o vidro com as lágrimas de Davnia.

Ninguém sabia ao certo como usar as lágrimas, apenas de seu poder apaziguador sobre os seres mágicos. Dos dez cavaleiros que partiram, apenas três voltaram: Artax, Velira e Garlen. Lodrai-Han apareceu às portas da principal fortaleza dos Varnon. Confiando no instinto, os três cavaleiros beberam um pouco das lágrimas, e derramaram as últimas gotas em suas armas. Com elas, avançaram sobre Lodrai-Han.

Nenhum ser mágico os atacou. O confronto com Lodrai-Han foi rápido e decisivo, e quando o tirano tombou, o seu controle sobre as criaturas foi quebrado. O ataque cessou imediatamente, seu exército humano fugiu para o norte, e não voltou mais.


O período do triunvirato e a igreja de Vertuz[]

(52 DV a 104 DV)

Artax, Velira e Garlen foram aclamados como grandes heróis, e a eles foi oferecido o governo da coalisão Varnon. Os três aceitaram o cargo e formaram o triunvirato Varnon, que governou Stergar por 52 anos.

Os seguidores de Vertuz receberam grande prestígio devido a sua participação na crise, e fundaram um templo onde pudessem propagar os ensinamentos de seu mentor. Foi o início da igreja Verturiana, que ao final do período do triunvirato era a organização mais influente de Stergar.

Os três líderes logo perceberam que as lágrimas de Davnia lhes conferiram muitos outros poderes além de não serem importunados por criaturas mágicas. As terras que governavam respondiam à disposição dos três. Tornavam-se férteis quando eles estavam felizes, árida quando se deprimiam. O clima era um reflexo de seu humor, e a população por vezes parecia uma extensão de seus braços.


A queda da coalisão e o período dos mil reinos[]

(104 DV a 789 DV)

Artax, Velira e Garlen passaram cada vez menos tempo juntos, até o dia em que Garlen morreu, assassinado por sua esposa. Artax e Velira brigaram pelas suas terras, e acabaram por dividir o império entre si. Os filhos de Garlen tomaram conta das terras do pai e as protegeram dos exércitos dos outros dois cavaleiros. Não muito depois, Artax foi deposto por seus próprios filhos, que ambicionavam aos territórios do pai. Velira caiu em profunda depressão, atribuindo a si a culpa da divisão do império. Trancou-se em uma torre e nunca mais foi vista.

Os descendentes dos três cavaleiros alados repartiram o império e passaram a brigar por seus pedaços. Como seus pais, o poder das lágrimas de Davnia impregnava seu corpo, o que para eles era sinal claro de seu direito de governar.

Netos sucederam aos filhos, e a esses, bisnetos. Stergar mergulhou em uma divisão cada vez maior, reinos cada vez mais fragmentados. Séculos após a morte de Garlan, o continente era um retalho de pequenos reinos lutando pelo sonho da unificação.


A unificação de Eredrion[]

(789 DV a 985 DV)

Surgiu em 789 um general nos reinos centrais chamado Eredrion. Inicialmente o líder de uma companhia de mercenários, Eredrion distinguiu-se pelo gênio militar a serviço do então reino de Kaladria, tornando-se seu comandante em chefe. Quando sua popularidade suplantou - várias vezes - a do próprio rei, Eredrion deu um golpe de estado tomando controle do reino. Rapidamente, moveu-se para atacar seus vizinhos e logo conquistou uma das regiões mais ricas do continente.

Uma aliança de reinos rivais se ergueu contra ele, argumentando que pela falta de sangue real, seu governo era uma afronta à Davnia. A resposta de Eredrion foi uma proposta de casamento à rainha Liana, uma de suas opositoras. Liana consentiu com o casamento, e foi instrumental para garantir que seus aliados também se unissem a Eredrion.

Assim nasceu o reino de Eredrion. O recém coroado rei faleceu dois dias após sua noite de núpcias, de uma estranha e súbita doença.

A unificação de Eredrion foi o primeiro passo de uma série de movimentos unificadores que tomou conta de Stergar. Apesar de Eredrion não ter realizado seu sonho de unificar o continente, uma centena de reinos menores seguiu seu exemplo – até mesmo como forma de se proteger do grande reino criado.

Os movimentos unificadores continuaram até meados do século 10. As desavenças e rivalidades cresceram com o tamanho dos reinos, e a certa altura, nenhuma das novas nações tinha mais disposição para se unir à vizinha. O pouco de prosperidade que se estabeleceu nos séculos anteriores foi lentamente direcionado para o aumento das forças armadas, e os novos conflitos que se iniciaram por Stergar.

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